terça-feira, 3 de setembro de 2013

Individualismo x Individualidade De que lado você está?

Fico realmente incomodada quando entro em um bar ou em uma sala de aula e vejo cada um convivendo com seu celular, sem se dar conta das pessoas ao lado. Por mais que tente compreender que esses são os novos tempos, fico triste ao constatar o aumento do individualismo e a queda da individualidade.

Essas duas palavras tão próximas e tão diferentes em seu significado podem nos ajudar a compreender alguns comportamentos profissionais e sociais.
Individualismo é a tendência de pensar e agir conforme a vontade própria, desconsiderando os demais. O individualista preocupa-se apenas com o próprio interesse e, por isso, tem atitudes e reações egocêntricas. De uma maneira geral é uma pessoa que desconhece a generosidade, a empatia e opõe-se à associação e a convivência. Só se preocupa com o outro quando está precisando dele para a própria satisfação.  No ambiente de trabalho o individualismo leva à agressividade e competitividade, mais ainda contribui para a corrupção e ações violentas, como assédio moral. Por trás de um comportamento individualista em geral existe uma pessoa insegura e com problemas de autoestima. Por isso usa dessa máscara social e profissional para não enxergar suas inseguranças.
A individualidade, por outro lado, representa a capacidade de viver e perceber a si mesmo e ao outro. Desenvolver a individualidade passa pela consciência da realidade em seus aspectos positivos e negativos. Ela nos protege de imposições e valores deturpados que agridem o nosso caráter e provocam mal estar e frustração. A individualidade é uma característica saudável que se baseia na autoestima, segurança e capacidade de escolher e conviver.
 A individualidade se constrói a partir da convivência  com a diversidade e  do respeito ao outro,  o que leva a  aprendizagem sobre direitos e limites. Infelizmente são  feedback e  trocas   que o celular não permite.
 Abrir mão da individualidade faz com que as pessoas se tornem mais individualistas na família, no trabalho, e na vida pessoal. E parece que o individualismo está na moda com perdas para os ambientes corporativos, e para a vida social.



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Lavagem cerebral ajuda?

De vez em quando é preciso parar e refletir sobre crenças, valores e  concepções que   temos   a cerca de nós mesmos  e dos outros. Na nossa cabeça alguns pensamentos funcionam como um pai exigente: Você tem que se dar bem, Você tem que ter sucesso, Você tem que ser magra etc., etc.

Esses valores e pensamentos estabelecem direções de vida e, muitas vezes, inibem  a visão de  novas possibilidades e oportunidades.
Eles formam como um pano de fundo para nossas escolhas, atitudes, reações e relacionamentos. 
 A maioria  deles  baseia-se em experiências e expectativas familiares que não fomos capazes de questionar e, que por isso  ditam  regras de conduta  pessoal e profissional. Como agem de forma repressora não nos permitem perceber que a realidade e as contingências da vida mudam constantemente e que, portanto, ficar parado no tempo pode ser muito  ruim.
O apego a crenças arraigadas não ajuda no crescimento pessoal, pelo contrário traz angústia, ansiedade e cobranças irracionais e  inconsciente,  que mexem com nosso autoconceito e autoestima. Se insistimos em manter esses pensamentos e  valores dentro de nós, é porque  preferimos não arriscar e não lidar  com a insegurança que  advém de toda mudança.    
 Fazer uma lavagem cerebral, aqui no bom sentido, é uma forma de  jogar  fora uma porção de entulho  que  ao invés de  nos impulsionar  apenas  contribui para a estagnação e acomodação.
Compreender e explorar consistentemente os desejos e objetivos  que  fazem parte  do nosso EU, permitem  maior autenticidade e  flexibilidade  com a gente mesmo.
Por esse caminho conquistaremos maior liberdade de escolha, menos cobrança e principalmente, maior sentimento de realização.  

 Na lavagem substitua os “ Você tem que “, por “  Eu quero”, “ Eu posso “ ou  “ Eu mereço”e abra espaço  para uma vida feliz.  

quinta-feira, 27 de junho de 2013

O QUE VOCÊ FARIA SE NÃO TIVESSE MEDO?

Essa pergunta apareceu no primeiro capítulo do livro “Faça Acontecer” de Sheryl Sandberg, que chegou ao mercado recentemente,  e que me fez refletir sobre o medo na carreira profissional.  Perguntei-me  o que teria  feito de forma diferente se tivesse deixado o medo de lado em  uma situação específica, no meu caso  ter deixado a  psicologia para assumir  a vontade de me dedicar à pintura. 
Ter medo é uma coisa natural. O medo é uma sensação  que estimula a autoproteção frente a um provável perigo. É um sentimento  que prepara para um estado de alerta ou de fuga.
Na carreira profissional o medo se manifesta na      maioria das vezes, não relacionado a situações reais, como uma ameaça de demissão,  mas normalmente vinculado a fantasias, inseguranças, autocrítica e outros sentimentos imaginários.
 Como não  tem a ver  com situações reais torna-se mais difícil controlar esse sentimento que pode tomar formas diversas de se expressar  profissionalmente: apatia, desmotivação, agressividade   culpar  terceiros da família  ou da empresa.
Dessa forma, o profissional evita correr riscos que poderiam resultar em ganhos. Renuncia  ao que quer, mas vive constantemente uma frustração pelo que não viveu, como se existisse uma sombra pairando permanentemente sobre sua cabeça.
Lidar com o medo na vida profissional significa, sobretudo, afastar  pensamentos que paralisam a ação de mudança,  idealizar a realidade, querer resultados imediatos, exigir autoperfeição e achar que vai ser rejeitado se falhar, são exemplos de gatilhos internos que levam ao medo  do novo ou do desconhecido. 
É bom lembrar que “errar é humano” e que ninguém é bem sucedido o tempo todo. Quando vemos alguém bem posicionado profissionalmente, imaginamos que sua carreira foi como uma escalada com picos cada vez mais altos.  Não vemos os riscos e os tombos que ocorreram no caminho. Não vemos, que tiveram de lidar com o medo e a insegurança e encarar  a  vida como ela é.
Não é a toa que a pergunta, que dá título a esse artigo, abre o capítulo  do livro que  traz  uma reflexão  sobre a liderança. Essas duas palavras andam juntas.
Quem se sente líder da própria vida consegue dominar o medo e seguir em frente. Quem não consegue acreditar no seu potencial prefere o conforto do conhecido, mesmo que isso signifique abrir mão do sentimento de realização pessoal e profissional.
 Portanto, imagine sem medo, o que estaria fazendo agora, nesse momento, se não tivesse medo. Se sua resposta é muito diferente  do que está vivendo, é bom refletir sobre o que está ganhando e perdendo com essa atitude.


segunda-feira, 13 de maio de 2013

TIME BREAK - PRA QUE?

Quem não sonha acordado em dar um tempo no trabalho, na rotina e na correria do dia a dia. E mais, aproveitar esse tempo para dedicar-se a uma atividade que seja um projeto pessoal: uma viagem, um curso de gastronomia, a produção de um livro ou o planejamento de um negócio.
Esse sonho na verdade significa que a gente quer ter um tempo para repensar a vida,  refletir sobre decisões passadas e  buscar  novos horizontes.
A vontade de dar um tempo não significa necessariamente que estejamos em crise profissional, mas sim que estamos precisando conversar um pouco mais com a gente mesmo, e ouvir alguns sentimentos internos.
Alguns poucos privilegiados podem fazer isso a partir do apoio da própria empresa e partem para o chamado ano sabático ou licença sem remuneração, práticas ainda pouco difundidas em nossas empresas.
Mas para a maioria, o esforço para alcançar esse objetivo terá que partir de uma iniciativa própria.  E cadê coragem!
Ter consciência de que a vida pessoal e profissional evolui em ciclos, torna mais fácil pensar nessa possibilidade. Qualquer  evolução  passa por avanços e retrocessos. Só assim mudanças ocorrem. Projetos profissionais sem rumo podem parecer avanços, mas não são, assim como afastamentos temporários podem parecer retrocessos, e na verdade funcionam como trampolim para novas possibilidades.
De tempos em tempos é preciso buscar novos significados para a vida.  No corre-corre do dia a dia fica difícil questionar os condicionamentos, reorientar as prioridades e repensar objetivos. Por isso, dar um tempo é essencial. Esse tempo pode ser curto ou longo, depende de cada um. Pode ser um afastamento total ou parcial das rotinas. Ou apenas, criar alternativas de projetos ou realizações. 
É um processo difícil que muitas vezes  leva a sentimentos de culpa e angústia. Envolve negociar mudanças no trabalho e na família. E, sobretudo, acreditar que você é dono da sua vida  e do seu bem estar.

sábado, 20 de abril de 2013

Você é bom ou excelente?



 
Os desafios no ambiente de trabalho estão maiores a cada dia.  Novas tecnologias, internacionalização das empresas, metas arrojadas,  parcerias.
Essa realidade traz constantemente a dúvida: estou preparado para dar o resultado que esperam de mim? A dúvida provoca medo, ansiedade e até mesmo frustração quando vem acompanhada de uma avaliação de desempenho que comprova que suas impressões são reais e que poderia estar  melhor  profissionalmente.


 A constatação dói mais ainda, quando sabemos do esforço, boa intenção e do que abrimos mão na vida pessoal e familiar em função do trabalho e mesmo assim, não se consegue alcançar o proposto!
Nessa hora, vale uma autoreflexão: onde devo investir minhas energias para continuar crescendo profissionalmente? Embora a pergunta seja simples, encontrar respostas é mais complicado. Para ajudar podemos utilizar as idéias de Katz[i] que mostram que devemos desenvolver 3 habilidades básicas:  técnica,  humana e  conceitual. Desenvolver  habilidade técnica para gerentes e administradores significa conhecer e gerir os pontos críticos do negócio e de sua área de atuação capazes de alavancar o sucesso. Desenvolver habilidade humana é rever interações e relacionamentos, principalmente no que se refere às pessoas mais próximas. Significa influenciar positivamente aumentando a confiança dos outros em sua competência e na sua personalidade, e também escolher e conduzir a equipe.  Uma boa dose de bom humor e assertividade  ajudam!

 A habilidade conceitual envolve aspectos políticos e estratégicos da organização. Muitos profissionais investem no desenvolvimento das duas primeiras habilidades, mas resistem participar do jogo político. Fogem do confronto e conflito e com esse comportamento ficam de lado de alguns aspectos importantes da organização.
Aqui também conta muito a proatividade, isto é, saber abrir caminho para novas possibilidades.
  Muitos focam uma dessas habilidades e se esquecem da outra quando no dia a dia, elas são complementares e interdependentes. Pense em cada uma delas para alcançar a excelência. Fortaleça o que já conseguiu e corra atrás daquela que ainda hoje é uma dificuldade!

 

 



[i] Robert l. Katz. As habilitações de  um Administrador Eficiente.